Renato Teixeira e Júlio Medaglia
 
Exclusiva com Renato Teixeira e maestro Júlio Medaglia “... Engraçado, estou no momento, me sinto como se estivesse completando minha carreira ...” Um pouco antes do show, a reportagem deste semanário teve uma oportunidade exclusiva de conhecer um pouco mais sobre a vida de dois grandes gênios da música brasileira , Renato Teixeira compositor e cantor exímio e o maestro Júlio Medaglia O projeto: orquestra com música Folk Júlio Medaglia, começou a carreira como bolsista na Universidade Federal da Bahia (UFBA), passou pela Europa estudando e regendo e, ao lado de Caetano Veloso, foi um dos fundadores do movimento Tropicalista. Atuante na cena musical brasileira , o maestro também foi namorado de Maysa Matarazzo e, provavelmente, deva estar fazendo uma mini-série junto a Jaime Monjardim em breve. Sobre o projeto ele declara: “A gente é amigo (leia-se Renato Teixeira e o maestro) há muito tempo, e sempre pensamos em fazer um trabalho juntos, e chegou a oportunidade.” Para Medaglia, as músicas de Renato são caracterizadas por dignidade, espontaneidade, fluência melódica fora do comum, tornando muito atrativo desenvolver um trabalho. Bellini Cultural – fazendo acontecer Bellini Cultural, responsável pela produção do evento, atua no Brasil e no exterior desde 1996 desenvolvendo projetos culturais variados e diferenciados. Projetos customizados para empresas como no caso da Fosfértil, utilizando as leis de incentivo fiscal . A Fosfértil, que tem como um de seus princípios a boa relação com a comunidade, viu a oportunidade de oferecer um show de qualidade para as regiões onde atua. Graças ao incentivo da Lei Rouanet, esse projeto está viajando e encantando a todos por onde passa. De acordo com a assessora da Bellini, foram várias reuniões, até chegarem no nome Renato Teixeira e Julio Medaglia. O projeto compreende 6 shows em diferentes cidades . Não é cobrado ingresso. O Folk – gênero musical “Então, tanto eu como o Almir, o Roca, caracterizamos como folk, como o folk francês, o folk irlandês, folk o americano. O folk está muito próximo da balada e vejo que está muito bem colocado hoje, sendo muito praticado. O folk americano começa com Woody Guthrie e deságua no Bob Dylan, onde a característica é o protesto,” explica Renato. A música Rapaz Caipira – O caipirismo, muito mais que uma dupla de jecas “Os caipiras sempre sofreram preconceitos. A rotina do caboclo começava cedo, entre 4h e 5h da manhã, embaladas antigamente com boas músicas. Na época tinha muita gente boa, grandes músicos como Tonico e Tinoco, Vieira e Vieirinha, Tião Carreiro e Pardinho, Ted Vieira e João Pacífico. E não se via influência de suas músicas em nenhum outro artista, a não ser neles próprios. Eles dominavam a cena na primeira metade do século passado”, explicou Renato Teixeira. Até o começo dos anos 70, esse conceito não chegava na música popular brasileira. Surge, então Vandré com “Disparada”, Sérgio Reis monta uma orquestra e Duprat com o disco Terra. “No começo dos anos 70, abre-se uma porta, para que isso pudesse passar. A música O Rapaz Caipira, na verdade, surgiu em meio a esse preconceito que havia, inclusive com o sotaque. O mineiro, o gaúcho, o carioca, o baiano tinham prestígio com o seu sotaque, e o caipira que “arrrrrde” não, mas agora tem!, concluiu Renato. As duplas sertanejas sob a ótica de Renato e Júlio Questionado se a música Rapaz Caipira seria uma crítica às atuais duplas sertanejas? Disse Teixeira: - ” Não é uma crítica às duplas sertanejas, eles fazem o trabalho deles. É uma grande jogada, talvez a última grande jogada das gravadoras do Brasil, de fazer uma coisa dessas. “Banalizaram muito, sugaram, deixaram só o caroço. Mas, agora, acredito estar mudando... Por exemplo as novas duplas que estão surgindo, como Victor e Léo gradativamente estão abandonando aquela “guitarraria” que tinha o sertanejo, e explorando o som mais acústico, e aproximando-se em direção ao folk.” O folk , que em inglês quer dizer “povo”é um gênero internacional criado na Inglaterra, no século 17. Bob Dylan, considerado um dos grandes ícones do gênero no século passado, é um exemplo disso. Enfim, isso só prova que a música brasileira em todos os tempos desde que ela foi fundada sempre está se renovando, sempre se mostrando mais bela, mais criativa. Um patrimônio cultural, que a gente tem, invejável. Maestro Júlio Medaglia o período dos anos 90 foi terrível! “Houve de fato um período que eu chamo de crise, uma espécie de sertanejo pop. Uma coisa meio bolerão do Roberto Carlos, “ Ninguém me ama, ninguém me quer ”, pouco tinha a ver com sertanejo autêntico, mas, sim, com o melodismo abolerado. Esse período dos anos 90, foi terrível! Graças a Renato Teixeira, Almir Sater, Sérgio Reis, percebe-se um resgate dessas raízes e com bom gosto fora do comum”, declarou Júlio Medaglia. São músicas que estão no coração das pessoas, são recebidas com alegria, elas têm autenticidade. Não são coisas fabricadas por gravadoras.” A mesma coisa aconteceu nesse período com o samba , aquele falso pagode, todos eles juntos não dão uma pausa das músicas do Cartola,” enfatizou o maestro. Quando se tem uma autenticidade estilística e tem realmente um relacionamento com alguma raiz ou idéia mais profunda, a qualidade é certa. Romaria uma música consagrada A batalha é difícil para se chegar em algum lugar. “Quando eu vejo essas duplas dos anos 90 que lotavam campos de futebol em seus shows. E, eu me pergunto. O que é sucesso , uma música que se consagra, ou bilheteria? Eu prefiro a música que se consagra. Eu peguei minha “musiquinha” (Romaria) em 1977, com Elis Regina, ela gravou e nunca parou de tocar. Sobre a música "Romaria", o personagem de "Romaria" foi um brasileiro que tentou de tudo e também queria se consagrar na vida. E no final quebra a cara aqui e acolá e diz que só rezando. E vai para Aparecida, mas não sabia rezar. Ele mostra muito a história dos romeiros que estão buscando os seus sonhos, assim também como nós. Quando se tem um plano de um lugar para se chegar, esta história mostra que se consegue. Tem que esperar a hora, porque a vida é longa. Quando se chega aos 62 anos e, se olha para trás, se fizermos uma síntese diremos que a vida é curta, mas pensando em minutos e segundos vemos que há tempo para tudo. Então, esta história diz que não se deve ter uma atitude babaca de se entregar”, conta Renato. Discos “Eu tenho alguns discos, que acho que são importantíssimos: "Amora", que é de 79; tem o "Garapa" que amo de paixão; o "30 anos de Romaria"; "Ao vivo em Tatuí" com o Pena Branca e Xavantinho, e o "Aguar a Terra", que eu gosto muito. Fiz um disco também com o Zé Geraldo que é um compositor folk maravilhoso. Ele é um contador de histórias que tem um vínculo estético com o Bob Dylan e o Raul Seixas. Mas a sua obra é grandiosa. É um artista tão grandioso que o Brasil ainda vai sacar quem ele é. Eu tenho três músicos absolutamente importantes: o Sérgio Mineiro, que já morreu, depois o Zé Gomes, que me fez perder o medo de cantar em público, e o Natan Marques, que cantava com a Elis e encheu a minha bola, por isso foi muito importante. Ele é o músico que resolve, não tem problema e não falha e de uma expressão e beleza. É um ser humano de uma aura de extrema grandeza. Estes músicos me fizeram ser o que sou hoje”. De Compositor para cantor “...é muito bom cantar, que é uma delícia, é mundo mágico...” “Eu nuca tive a pretensão de ser cantor, nunca foi essa minha intenção. Eu queria compor, fazer música. Até o meu próprio parceiro, o Almir Sater, desde que cruzou com Zézé di Camargo e Luciano, brincou com a dupla que eles poderiam gravar nossas músicas para que nós pudéssemos ficar em casa, fazendo aquilo que nós gostamos, que é compor. Aí, em determinado momento, você começa a fazer shows, você vai cantando e descobre que é muito bom cantar, que é uma delícia. É mundo mágico que lhe permite conhecer várias regiões”, declara Renato Teixeira. Ele conta que mesmo não tendo essa pretensão, esse enfoque, quando chegou a São Paulo acabou sendo contratado pela extinta TV Tupi, para cantar junto á orquestra e também na rede Bandeirantes. “Comecei a lembrar como é bom, é como andar de limousine. E, de repente, ganhei esse presente que caiu no meu colo atuar, junto, com o maestro e músicos excelentes. Quando ouço o arranjo da orquestra de Júlio no show, vejo a história da música brasileira. A sonoridade certas convenções que concebem uma espécie de espiritualidade , e chega nesse ótimo resultado. Esse timbre acústico da orquestra nada vai substituir! Não tem teclado que se sobreponha à delicadeza de uma orquestra tocando. Isso é eterno, vai existir sempre, é garantido. Engraçado, estou no momento, me sinto como se estivesse completando minha carreira. Estou naquele tempo, que olho e vejo, o serviço está feito. Nesse momento tudo passa a ser mais compreensível , ter mais sabor. Começo a entender o porquê das coisas, um momento riquíssimo”, explicou o cantor e compositor folk. Gerente Executivo Industrial do Complexo Fosfértil Tapira Sobre a importância do projeto da Fosfértil em presentear Araxá com o show de Renato Teixeira, Júlio César Sanches Azevedo, gerente executivo industrial do complexo Fosfértil Tapira diz: Fico orgulhoso por 2 motivos. Uma de trabalhar na fosfertil que tem esse tipo de preocupação. Investe de uma forma muito bacana nas regiões onde a empresa tem comunidade.. Como cidadão araxaense e tapirense, como me considero, privilegiado de poder desfrutar desses momentos prazeroso.
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